Cartório do Executivo: Câmara de São Caetano é alvo de críticas por carimbar tudo da Prefeitura 

Sem identidade própria, a Câmara de São Caetano há anos tem sofrido desgastes. Entre a população, o Legislativo ganhou um apelido. “Cartório de Despacho da Prefeitura” e os vereadores “carimbadores oficiais”.

Tal subserviência ocorre há duas décadas. Tudo começou em 2005, quando José Auricchio Júnior venceu a primeira eleição para prefeito. Não se pode apontar quais motivos levavam ou ainda levam a grande maioria dos vereadores a endossar projetos do Executivo. Sabe-se, no entanto, que a única proposta enviada, ainda este ano, pelo prefeito Tite Campanella, afilhado político de Auricchio, à Câmara versa justamente sobre retorno da cidade às fileiras do Consórcio Intermunicipal Grande ABC depois de anos após ter se retirado da entidade.

Tite sempre se colocou contrário a reinserir o município no colegiado. Mas, pressionado por Marcelo Lima, prefeito de São Bernardo e presidente da entidade, e por Ricardo Nunes, prefeito da Capital, não sustentou sua opinião e cedeu aos pedidos dos colegas, mostrando não ter pulso firme e identidade.

A Câmara, em 2023 aprovou a saída, agora volta atrás e com a maioria dos vereadores daquela época e reeleitos no ano passado. Os parlamentares assinaram embaixo e não contrariaram o Tite e não mantiveram seus posicionamentos, apenas para agradar o “chefe”.

Este caso citado é apenas um dos carimbos. Na terça-feira (1°), a contabilidade de Auricchio referente ao ano de 2022 foi levada a plenário. O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo apontou diversas movimentações financeiras estranhas, falta de Auto de Vistoria de Corpo dos Bombeiros, não cumprimento do piso nacional do magistério e falta de transparência nos atos públicos e controle interno.

Entretanto, mesmo diante de diversos problemas, os vereadores não desgarrados de Auricchio votaram pela aprovação das contas.

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